Foto desfocada de apresentadores de eSports e o título à frente: eSports no Brasil: Além do "pro player".
Foto desfocada de apresentadores de eSports e o título à frente: eSports no Brasil: Além do "pro player".

eSports no Brasil: como o mercado está criando novas carreiras além do pro player

Os eSports no Brasil crescem como indústria bilionária e criam novas carreiras em tecnologia, gestão, design e análise de dados além do jogador profissional.

eSports no Brasil: como o mercado está criando novas carreiras além do pro player

Jogadores profissionais no Campeonato Brasiliero de League of Legends. Estão sentados e em jogo. Esports no Brasil.

(Foto: Divulgação / Copa CBLOL 2026)

Os eSports no Brasil deixaram de ser apenas competições entre jogadores para se consolidarem como um dos setores mais promissores da economia digital e criativa, impulsionados pelo avanço da indústria dos jogos eletrônicos no país e no mundo. O crescimento da audiência, a profissionalização das equipes e o aumento do investimento de marcas transformaram o cenário competitivo em um mercado estruturado, que hoje demanda profissionais de diversas áreas.

Mais do que formar campeões, o setor passou a criar oportunidades em tecnologia, gestão, análise de dados, design, comunicação e psicologia esportiva. O que antes era visto apenas como entretenimento agora se estabelece como indústria.

O Brasil como potência regional em eSports

O Brasil já é um dos maiores mercados da indústria dos jogos eletrônicos na América Latina. Em 2023, o setor movimentou cerca de US$ 9,5 bilhões no país, consolidando-se como uma das principais economias do setor na região.

Os eSports no Brasil também têm um impacto expressivo. Foram aproximadamente 58 milhões de espectadores únicos em 2023, com projeção de alcançar 35 milhões de usuários até 2029. Grande parte dessa audiência acompanha campeonatos por plataformas como Twitch e YouTube, reforçando um modelo de mercado baseado em transmissões ao vivo, engajamento digital e comunidades online.

A Team Liquid Brasil ergue o troféu após ser coroada campeã da Grande Final do Campeonato VALORANT Game Changers 2025, realizada na LoL Park Arena, em Seul, Coreia do Sul, em 30 de novembro de 2025. (Foto: Moon Suwon/Riot Games).

eSports no Brasil ganhando o mundo. (Foto: Divulgação – Moon Suwon/Riot Games).

Títulos como League of Legends, Counter-Strike 2 e Valorant estruturam ligas com temporadas regulares, patrocinadores consolidados e premiações milionárias.

Somente em 2023, o Brasil realizou mais de 2.100 eventos competitivos, contou com cerca de 450 equipes ativas e distribuiu aproximadamente US$ 23 milhões em premiações.

Esses números ajudam a explicar por que o país é considerado uma potência regional nos eSports — não apenas em audiência, mas também em produção profissional.

Crescimento e profissionalização do mercado de eSports

A evolução dos eSports no Brasil está diretamente ligada à sua estruturação empresarial. As equipes deixaram de operar de maneira informal e passaram a funcionar como organizações completas, com departamentos de marketing, análise de desempenho, produção audiovisual e gestão estratégica.

O investimento de marcas acompanha esse movimento, impulsionado pela forte conexão com o público jovem e digital.

Segundo o professor do curso de Design de Games da Univali, Rafael Herminio Graciola, a principal transformação estrutural do setor foi a mudança do modelo organizacional:

“A aceleração veio com a transformação das organizações e times em empresas. Hoje os times contam com equipe de marketing, tecnologia de ponta para análise de desempenho individual e coletivo, produção multimídia e transmissões ao vivo. Tudo isso é necessário para que a organização consiga se manter no mercado de jogos digitais.”

Ele também destaca o peso do investimento das marcas nesse processo:

“Muitas empresas investem pesado nos times, chegando a incorporar o nome da marca, como aconteceu com a Vivo Keyd, Red Canids Kalunga e Kabum eSports. Isso dá visibilidade aos patrocinadores, mas também aumenta a pressão por resultados, já que o desempenho influencia diretamente na manutenção dos contratos.”

O ecossistema dos eSports: tecnologia, dados e estratégia

O ecossistema dos eSports envolve uma cadeia ampla e integrada que inclui organizações competitivas, ligas e produtoras de campeonatos, plataformas de streaming, desenvolvedoras de jogos, agências de marketing, marcas patrocinadoras e empresas especializadas em tecnologia e análise de dados. Trata-se de uma estrutura que vai muito além das partidas em si e que opera com lógica empresarial e estratégica. 

A tecnologia desempenha papel central: softwares de análise estatística, ferramentas de monitoramento de desempenho e sistemas de gestão digital tornaram-se parte da rotina das equipes, influenciando tanto a preparação competitiva quanto a tomada de decisão administrativa.

Sobre o impacto da tecnologia nos bastidores, o professor explica que os dados vão além da performance dentro do jogo:

“As organizações funcionam como empresas. Além do desempenho competitivo, é preciso pensar na construção da imagem de um jogador como ‘estrela’ do time, alguém que represente a organização dentro e fora dos jogos. A análise de dados também ajuda a identificar esses perfis.”

Ele cita exemplos de nomes que marcaram época:

“A paiN Gaming contou com várias estrelas ao longo dos anos, como Gabriel ‘Kami’ Bohm, nosso pro-player “manézinho”, que até hoje é uma referência ligada à organização.”

Rafael também menciona o crescimento de iniciativas independentes no cenário competitivo:

“Hoje temos o streamer e narrador de Dota 2, Felipe ‘NS_Art’ Costa, que organiza o campeonato NextLevel, com premiação de R$ 30 mil. Mesmo não sendo o maior cenário do país, o Dota 2 mostra como há espaço para expansão além dos títulos mais consolidados.”

Novas carreiras nos eSports além do jogador profissional

A apresentadora de esports Mikafabs, a ex-jogadora Mary, kaquka e Ender falam da analyst lounge durante a Grande Final do Campeonato VALORANT Game Changers 2025, realizada na LoL Park Arena, em Seul, Coreia do Sul, em 30 de novembro de 2025. (Foto: Christina Oh/Riot Games).

Apresentadores, analistas e mais carreiras. (Foto: Divulgação – Christina Oh/Riot Games).

A expansão da indústria abriu espaço para diversas profissões. Hoje, os eSports demandam:

  • Gestores e administradores;
  • Analistas de dados;
  • Desenvolvedores de sistemas;
  • Designers de experiência;
  • Especialistas em marketing digital;
  • Produtores de conteúdo;
  • Psicólogos esportivos;
  • Organizadores de eventos.

Segundo relatório da PwC Brasil sobre entretenimento e mídia haverá um crescimento do consumo digital, essa tendência marca a necessidade de profissionais qualificados para atuar em plataformas, transmissões e análise de audiência.

Ao falar sobre os perfis profissionais mais demandados, Rafael amplia a visão para além das funções tradicionais:

“As pessoas costumam pensar apenas no modelo empresarial, mas esquecem que, assim como no futebol, os times precisam de técnicos, treinadores específicos por função, preparadores físicos, psicólogos, nutricionistas e auxiliares técnicos.”

Ele reforça que o cuidado com a saúde mental e física é parte estratégica do desempenho:

“Existe todo um trabalho voltado à saúde dos jogadores e da organização como um todo. Às vezes isso passa despercebido, mas é essencial para o desenvolvimento da equipe.”

O professor também lembra que o mercado vai muito além dos times:

“Nas organizações que criam campeonatos, o leque de carreiras aumenta ainda mais. Temos narradores, comentaristas, equipe de produção, ajudantes de palco, técnicos de luz, som, operadores de transmissão e moderadores de chat. O cenário só tende a crescer e, com ele, as oportunidades.”

Formação multidisciplinar como diferencial competitivo

O mercado de eSports exige formação sólida e visão multidisciplinar. Profissionais precisam compreender tecnologia, lógica de sistemas, análise de dados, design de experiência e comportamento do público.

Os cursos são preparatórios. Tudo o que é ensinado pode e será aplicado no mercado de trabalho, desde que esteja alinhado à área de atuação.” relata o professor Rafael.

Nesse contexto, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) atua como ambiente de formação e reflexão sobre o mercado digital e criativo. Cursos como Design de Games e Análise e Desenvolvimento de Sistemas dialogam diretamente com as demandas tecnológicas e estratégicas presentes na indústria de eSports, preparando profissionais para atuar no desenvolvimento, na infraestrutura e na gestão digital do setor.

A formação deixa de ser apenas técnica e passa a integrar inovação, criatividade e visão de mercado.

Cameraman filmando jogadores de Counter-Strike com foto da HLTV.ORG

Por trás das câmeras. (Foto: Divulgação / HLTV.org).

Tendências para os próximos cinco anos

A consolidação do setor aponta para novas frentes de atuação. Inteligência de dados mais avançada, experiências imersivas, automação de processos e transmissões interativas devem ampliar o leque de oportunidades.

Ao analisar o futuro do setor, o professor Rafael aponta para a expansão estrutural e financeira:

As organizações estão se atualizando constantemente, seja com novos jogadores, técnicos ou formatos de campeonato. As bets já mostram que são grandes aliadas na movimentação financeira do mercado.

Ele projeta ainda um modelo mais estruturado de competições:

Daqui a cinco anos, o cenário provavelmente estará ainda maior, com novos campeonatos e organizações. Podemos até imaginar algo semelhante às Séries A e B do futebol, permitindo a entrada de novos times e promovendo maior competitividade.

Criatividade e design na experiência dos eSports

Se a tecnologia estrutura o funcionamento das equipes, o design molda a experiência do público. Identidade visual, narrativa, ambientação digital e transmissões impactam diretamente o engajamento e a sustentabilidade econômica das competições.

Sobre o papel da criatividade, o professor Rafael ressalta a necessidade de inovação constante:

Alguns campeonatos internacionais trazem bandas para tocar enquanto o público aguarda o início dos jogos, já fizeram especiais temáticos, como edições de Natal com ações diferenciadas. A criatividade é um diferencial competitivo.

Ele complementa:

Se você não cria expectativa e não mantém o público engajado até mesmo nos intervalos, como terá retorno financeiro? Cenários, figurinos, interação com a plateia — tudo isso faz parte da experiência.

Competências comportamentais no novo mercado competitivo

Além das habilidades técnicas, o setor exige competências comportamentais cada vez mais valorizadas:

  • Trabalho em equipe;
  • Comunicação estratégica;
  • Adaptabilidade;
  • Pensamento crítico;
  • Criatividade aplicada.

Rafael aponta algumas competências:

Um time ou organização não funciona se todos não estiverem na mesma página. Trabalho em equipe é fundamental. Os jogos recebem atualizações constantes. Todos precisam se adaptar ao ‘meta’, entender balanceamentos e mudanças. O cenário está em permanente transformação.

E conclui ressaltando postura profissional:

“É preciso pensamento crítico, autonomia e responsabilidade. Hoje tudo é transmitido para milhares de pessoas. O comportamento dentro e fora das partidas é determinante.

Universidade como ponte entre cultura gamer e mercado

O crescimento dos eSports também exige produção de conhecimento e análise acadêmica. Universidades podem atuar como ponte entre cultura gamer, inovação e mercado de trabalho, formando profissionais preparados para atuar em diferentes áreas da indústria.

Para Rafael, a universidade deve proporcionar experiências práticas:

O primeiro passo é implementar a cultura gamer dentro da universidade, promovendo campeonatos e mostrando como tudo funciona por trás das câmeras.

Ele reforça a importância do contato com profissionais do mercado:

Trazer palestrantes e profissionais da área ajuda a abrir os olhos dos alunos para possibilidades além de jogar. Eles podem atuar na narração, produção, sonorização, organização e muitas outras áreas.

Uma nova percepção de carreira

Cada vez mais estudantes enxergam as carreiras em eSports no Brasil como possibilidade concreta — não apenas como sonho de se tornar jogador profissional, mas como oportunidade em tecnologia, gestão, design e inovação.

Por fim, o professor observa uma necessidade de mudança gradual na visão dos estudantes:

Muitos ainda sonham em ser jogadores profissionais, mas precisamos mostrar que existe uma rotina intensa de treinos, alimentação e disciplina. Nosso papel é ampliar horizontes. Se o aluno tem facilidade para falar em público, pode se tornar narrador ou comentarista. Pequenos detalhes podem transformar a vida profissional desses estudantes.

Os eSports no Brasil se consolidaram como indústria relevante dentro da economia digital. O país é potência regional em audiência, eventos e premiações, e o mercado segue em expansão.

Para jovens interessados em games, tecnologia e cultura digital, o crescimento dos eSports no Brasil representa um caminho profissional real e diversificado. E para as universidades, o desafio é acompanhar essa evolução, integrando formação técnica, criatividade e visão estratégica.

A indústria já não é apenas sobre jogar. É sobre criar, analisar, desenvolver, organizar e inovar dentro de um dos mercados que mais crescem no cenário digital brasileiro.

Para saber mais sobre os cursos e formações na área de games, acesse o site da Univali. E para continuar acompanhando notícias, análises e tendências do universo gamer, fique ligado na ND Games.

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