FURIA ergue o troféu da Thunderpick World Championship 2026 (Imagem: Reprodução/FURIA via X).
LOUD comemora o bicampeonato do VALORANT Champions em Xangai (Imagem: Shannon Cottrell/Riot Games).

Esports brasileiro no topo do mundo: um domingo de dois bicampeonatos

LOUD e FURIA são bicampeãs no mesmo domingo. Mesmo sem bets e com pouco incentivo, o esports brasileiro segue entre os melhores do mundo.

O esports brasileiro viveu neste domingo (18) um daqueles dias que entram para a história. Em Xangai, a LOUD venceu a Team Vitality por 3 a 1 e se tornou a primeira organização bicampeã mundial de VALORANT. Horas depois, a FURIA derrotou a BETBOOM por 3 a 2 e conquistou o bicampeonato da Thunderpick World Championship de Counter-Strike 2.

Os dois bicampeonatos chegam no fim de um ciclo difícil para o esports brasileiro. O cenário atravessou um ano de cortes, de patrocínios que desapareceram com a proibição das bets e de incentivo público que só agora começa a ganhar forma. Mesmo assim, o Brasil segue disputando, e vencendo, entre os melhores do mundo.

Elenco da LOUD com o troféu do VALORANT Champions 2026 (Imagem: Colin Young-Wolff/Riot Games).

LOUD comemora o bicampeonato do VALORANT Champions em Xangai (Imagem: Shannon Cottrell/Riot Games).

LOUD: a primeira bicampeã da história do VALORANT

A final do VALORANT Champions 2026 foi uma demonstração de resiliência. A Vitality abriu 9 a 3 em Summit, mas a LOUD virou e fechou o mapa em 13 a 11. Os franceses empataram a série em Lotus (13 a 8), e a equipe brasileira dominou o restante: 13 a 5 em Sunset e 13 a 10 em Haven.

O primeiro título havia saído em 2022, em Istambul, contra a OpTic Gaming. Quatro anos depois, o troféu volta ao esports brasileiro com um elenco completamente renovado: lukxo, tkzin, erde, Darker e DaviH, sob o comando do técnico Romanilly. Segundo levantamento do VZone citado pelo Ei Nerd, a média de idade da escalação é de 19,8 anos, a menor já vista em uma final de Champions.

A LOUD também se tornou a primeira equipe da história do torneio a vencer 10 mapas depois de ir para o intervalo em desvantagem. Virar jogo, dentro e fora do servidor, virou marca do time e do esports brasileiro.

Erde: o MVP mais jovem e a final dedicada à mãe

O grande nome da decisão foi o chileno Roberto “erde” Lobos, capitão e IGL da LOUD. Aos 18 anos e 8 meses, ele se tornou o MVP mais jovem da história do Champions, superando o recorde de aspas, de 2022.

A conquista teve um peso que vai além do jogo. A mãe de erde morreu dois dias antes da estreia da LOUD no torneio, após uma longa batalha contra o câncer. Ele decidiu jogar mesmo assim, liderou a equipe rodada a rodada e, no palco, dedicou o título a ela: “Eu joguei apenas por ela”.

Erde e os jogadores da LOUD com o troféu do Champions 2026 (Imagem: Divulgação/LOUD).

Erde e os jogadores da LOUD com o troféu do Champions 2026 (Imagem: Divulgação/LOUD).

A trajetória de erde também tem um lado jurídico pouco lembrado. Ele assinou com a Leviatán Academy aos 14 anos e só pôde assumir a vaga no elenco principal da LOUD depois de completar 18, idade mínima exigida pela Riot Games no circuito. A formação de atletas menores e os contratos internacionais já são parte do dia a dia do esports brasileiro.

FURIA: bicampeã da Thunderpick com FalleN decisivo

No Counter-Strike 2, a FURIA, outra potência do esports brasileiro, chegou à final da Thunderpick World Championship 2026 como favorita e precisou de cinco mapas para confirmar o título. Começou atropelando na Dust2 (13 a 6), mas viu a BETBOOM vencer a Ancient em duas prorrogações (19 a 16) e a Nuke (13 a 9).

A virada veio na Mirage. A FURIA abriu grande vantagem, viu os russos empatarem e só fechou o mapa em 13 a 11 graças a um 2v4 decisivo de Gabriel “FalleN” Toledo. Na Cache, o mapa de desempate, a equipe brasileira não deu chances: 13 a 6.

FURIA ergue o troféu da Thunderpick World Championship 2026 (Imagem: Reprodução/FURIA via X).

FURIA ergue o troféu da Thunderpick World Championship 2026 (Imagem: Reprodução/FURIA via X).

O título rendeu US$ 500 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), a maior fatia da premiação total de US$ 1 milhão, e foi o primeiro troféu da FURIA na temporada. Kaike “KSCERATO” Cerato foi eleito o MVP da competição. O elenco campeão tem ainda YEKINDAR, yuurih e molodoy. Na edição de 2025, a FURIA havia vencido a NAVI na final.

Por que esses títulos importam?

Os dois bicampeonatos chegam no fim de um ciclo difícil. A LOUD vinha de um 2025 abaixo do esperado, chegando a ficar fora de uma etapa importante do VCT Américas. A FURIA ainda não tinha levantado nenhum troféu na temporada.

O contexto fora do servidor também pesou. Desde a MP nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, as apostas de quota fixa estão proibidas no país,e com elas foram embora patrocínios que sustentavam boa parte do esports brasileiro. O apoio público, por sua vez, só deu um passo concreto na semana passada, com o Decreto nº 13.138/2026, que reconheceu os esportes eletrônicos como manifestação esportiva e abriu às organizações a possibilidade de integrar o Sistema Nacional do Esporte.

Os resultados mostram que o talento existe. O que falta é estrutura para que ele não dependa de exceções.

KSCERATO, MVP da Thunderpick, comemora com a FURIA. Vitoria do esports brasileiro (Imagem: Divulgação/FURIA).

KSCERATO, MVP da Thunderpick, comemora com a FURIA (Imagem: Divulgação/FURIA).

O que fica para o esports brasileiro?

O domingo de 18 de outubro prova que o Brasil continua formando, atraindo e liderando talentos no mais alto nível. Mas, para o esports brasileiro, títulos não substituem estrutura. Agora que os Esports foram reconhecidos no plano federal, o desafio é transformar esse reconhecimento em política pública, financiamento estável e segurança jurídica para atletas, times e organizadores.

A próxima parada já está marcada: a FURIA disputa a PGL Masters Bucharest, na Romênia, entre 24 e 31 de outubro. E o VALORANT terá duas etapas do VCT 2027 no Brasil. O cenário está aquecido. Cabe ao país acompanhar o ritmo de quem joga.

Ficou curioso? Acesse a aba de esportes eletrônicos da ND Games para mais conteúdos sobre o esports brasileiro e o Direito Gamer.

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