
Diablo IV entrou em uma nova fase com a chegada de Diablo IV Lord of Hatred. Mais do que uma expansão tradicional, Lord of Hatred representa a tentativa definitiva da Blizzard Entertainment de transformar Diablo IV em um RPG de ação sustentável a longo prazo.
Após Diablo IV: Vessel of Hatred funcionar como uma ponte narrativa focada em Mephisto, Nahantu e na classe Natispírito — além de apresentar um antagonista inicial pouco memorável — Lord of Hatred amplia a escala da experiência com novas classes, sistemas reformulados e uma abordagem mais robusta para concluir a chamada “Age of Hatred Saga”.
Desde a estreia de Diablo IV, o principal alvo de críticas da comunidade sempre esteve relacionado ao endgame e à progressão. Embora atualizações como Loot Reborn tenham melhorado significativamente o loot e a estrutura geral do jogo, ainda existia a sensação de que o ARPG não possuía profundidade suficiente para competir diretamente com outros títulos do gênero.

Um pouco mais de opções nas habilidades. (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
Lord of Hatred tenta resolver essa questão.
Entre as principais mudanças implementadas pela expansão estão:

Não, você não vai pegar tilápia. (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
O grind agora é mais estruturado e permite direcionar melhor as atividades preferidas do jogador, mantendo o foco na experimentação. A expansão entrega uma sensação de progressão mais consistente já nas primeiras dezenas de horas, algo que Diablo IV demorou bastante para encontrar.

O imponente Paladino! (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
A classe de Paladino já havia me conquistado antes mesmo do lançamento oficial da expansão, e agora chega ainda mais forte graças às novas melhorias implementadas. Ainda assim, quem realmente rouba a cena em Lord of Hatred é o Bruxo.

A Bruxa e a dominação sobre o inimigo. (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
Segundo os próprios desenvolvedores, a proposta da classe era criar um conjurador brutal, agressivo e fisicamente intimidador, diferenciando-o do Necromante e do Mago.
O Bruxo aposta em:
O Bruxo, dominador das hordas infernais, é extremamente divertido de jogar. Em uma das builds que testei, a classe se transformou em um verdadeiro canhão de vidro, causando dano absurdo em troca de pouca resistência. Como meu personagem inicial da expansão, consegui alcançar o Tormento 10 sem grandes dificuldades.

Talismã preenchido, hora da luta! (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
Visualmente, Lord of Hatred também representa uma mudança importante para Diablo IV. A expansão abandona parcialmente o tradicional visual gótico para explorar ilhas costeiras mais coloridas, ruínas antigas e uma arquitetura inspirada nas origens de Santuário.
Mesmo que Vessel of Hatred já apresentasse boas ideias visuais, Skovos eleva o nível artístico de Diablo IV com cenários mais vivos, detalhados e variados.
Ainda assim, o clima opressor e intimidador característico da franquia permanece presente durante toda a campanha.
Em Vessel of Hatred, o foco excessivo em Neyrelle, aliado a um antagonista inicial esquecível, acabou deixando o protagonista em segundo plano. A expansão anterior funcionava quase exclusivamente como uma ponte narrativa para Lord of Hatred.
Agora, a história se mostra mais equilibrada e melhor construída, trazendo maior destaque para o personagem principal sem deixar de lado figuras conhecidas e carismáticas da franquia.
A narrativa encontra os momentos certos para desenvolver emoção, enquanto o arco envolvendo Mephisto finalmente ganha o peso necessário para sustentar a trama.
Além disso, a expansão trabalha muito melhor o senso de consequência desde o início, algo essencial para o universo de Diablo.
Apesar da evolução significativa, ainda existem limitações importantes.
O endgame continua essencialmente o mesmo, porém mais organizado e permitindo direcionar melhor as atividades favoritas do jogador. Isso melhora a obtenção de loot e amplia as possibilidades de experimentação, seja com classes, builds ou os próprios Planos de Guerra.

Direcione seu plano de guerra e tenha um loot excelente! (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
A variedade de atividades ainda é relativamente pequena quando comparada a outros grandes ARPGs do mercado. Mesmo assim, o saldo final é bastante positivo e parece ter agradado boa parte da comunidade.
O aspecto mais importante da expansão talvez não esteja apenas em seu conteúdo, mas no impacto causado sobre a imagem de Diablo IV.
Quando o jogo foi lançado, muitos acreditavam que a Blizzard dificilmente conseguiria repetir a relevância histórica de Diablo II ou alcançar a longevidade conquistada por Diablo III. Hoje, essa percepção parece ter mudado consideravelmente.

Qual item eu vou melhorar agora? (Imagem: Acervo Pessoal/Mestre Xis).
Lord of Hatred transmite a sensação de que Diablo IV finalmente encontrou sua identidade:
Ainda existem desafios importantes pela frente, principalmente no equilíbrio das temporadas e no refinamento do endgame. Porém, pela primeira vez desde 2023, Diablo IV parece plenamente alinhado com o potencial que prometia desde seu anúncio original.
Para a Blizzard, essa talvez seja a maior vitória de Lord of Hatred. A expansão talvez não resolva todos os problemas de Diablo IV, mas finalmente entrega a sensação de que a franquia voltou a caminhar na direção certa.
Para quem nunca jogou Diablo IV, este é um excelente momento para começar. Já os veteranos provavelmente encontrarão aqui motivos suficientes para retornar por muitas horas.
Continue acompanhando as notícias dos seus jogos favoritos e também dos mais inusitados aqui na ND Games. Compartilhe essa notícia e enfrente o ódio!