Helicóptero sobrevoando mundo aberto de GTA V, um dos jogos de mundo aberto mais populares. Fundo borrado e título à frente: Jogos de Mundo aberto: De GTa 3 a Elden Ring, a Evolução do Gênero.
Helicóptero sobrevoando mundo aberto de GTA V, um dos jogos de mundo aberto mais populares. Fundo borrado e título à frente: Jogos de Mundo aberto: De GTa 3 a Elden Ring, a Evolução do Gênero.

Jogos de mundo aberto: de GTA 3 a Elden Ring – a evolução do gênero

Jogos de mundo aberto: GTA 3 a Elden Ring, evoluindo tecnologia, narrativa e liberdade para criar experiências imersivas e mundos vivos

De GTA 3 a Elden Ring: a trajetória dos jogos de mundo aberto

Você atravessa uma caverna escura, abre uma grande porta dupla e, de repente, vê um céu estrelado à sua frente, livre para escolher por onde seguir. Ou talvez conheça seus companheiros de jornada, suba em seu cavalo e parta rumo ao Velho Oeste. Ou ainda chega de viagem, seja raptado por policiais corruptos e lançado em um bairro dominado por gangues, onde uma bicicleta marca o início de tudo. Bem-vindos aos jogos de mundo aberto.

Dos primeiros ambientes tridimensionais de GTA 3 aos mundos fragmentados e enigmáticos de Elden Ring, os jogos de mundo aberto passaram por uma transformação profunda nas últimas duas décadas. Mais do que mapas extensos, o gênero evoluiu para experiências imersivas, sistêmicas e centradas na autonomia do jogador, impulsionadas por avanços tecnológicos e novas abordagens de design.

Essa evolução também mudou a forma como profissionais são formados. Hoje, quem trabalha com games precisa dominar não apenas programação e arte, mas também narrativa, experiência do usuário e construção de sistemas capazes de sustentar mundos vivos e complexos.

GTA 3, San Andreas e GTA V: da liberdade espacial aos mundos vivos

Lançado em 2001, Grand Theft Auto III é reconhecido como o primeiro grande marco dos jogos de mundo aberto em 3D. Pela primeira vez, jogadores podiam explorar uma cidade inteira em perspectiva tridimensional, dirigir veículos, assumir missões em ordens diferentes e interagir livremente com o ambiente — estabelecendo fundamentos que moldaram o gênero.

Helicóptero sobrevoando mundo aberto de GTA V, um dos jogos de mundo aberto mais populares.

Um horizonte de expectativas. (Imagem: Divulgação).

Em 2004, GTA: San Andreas expandiu essa fórmula ao apresentar um estado inteiro com múltiplos biomas, cidades e zonas rurais. O jogo incorporou sistemas de progressão física, customização do personagem, atividades paralelas e uma narrativa socialmente engajada, consolidando os mundos abertos como espaços narrativos ricos em identidade cultural e contexto social.

Já com GTA V, a Rockstar levou o conceito a outro patamar técnico. O mapa contínuo combinava cidades, desertos, montanhas e oceanos povoados por NPCs com rotinas próprias, eventos aleatórios e ecossistemas dinâmicos. O mundo deixou de ser apenas cenário para missões e passou a funcionar como um sistema “vivo”, no qual o jogador podia simplesmente existir e explorar.

Veja mais sobre GTA 6 e a promessa do maior jogo da história.

The Witcher 3: narrativa, emoção e escolhas

Enquanto GTA consolidava o realismo urbano, The Witcher 3: Wild Hunt mostrou que jogos de mundo aberto também podiam ser profundamente narrativos. O título combinou exploração livre com missões secundárias densas, diálogos ramificados e consequências morais persistentes.

Geralt e Yennefer em ruínas no meio da floresta em The Witcher 3.

Escolhas podem moldar o mundo. (Imagem: Divulgação).

Cada vila, floresta ou ruína escondia histórias próprias, muitas vezes tão impactantes quanto a narrativa principal. The Witcher 3 provou que a liberdade do jogador não enfraquece a narrativa — pelo contrário, pode ampliá-la.

Red Dead Redemption 2: realismo, ritmo e imersão

Com Red Dead Redemption 2, a Rockstar aprofundou ainda mais a ideia de mundo vivo. O jogo trouxe simulação avançada de ecossistemas naturais, comportamento animal e ciclos sociais, além de um ritmo narrativo mais contemplativo.

Cavalo em cima da montanha com o sol ao fundo.

Você já ficou observando a natureza ao seu redor. (Imagem: Divulgação).

O mundo reagia ao jogador de forma orgânica, seja por pequenos gestos sociais ou consequências narrativas de longo prazo — resultado direto da evolução dos motores gráficos, da física e da inteligência artificial.

Elden Ring: exploração, mistério e narrativa ambiental

Em Elden Ring, a FromSoftware mesclou mundo aberto com a filosofia Soulslike. Em vez de mapas cheios de marcadores e objetivos explícitos, o jogo aposta em exploração orgânica, descobertas inesperadas e narrativa ambiental fragmentada.

Cavaleiro andando na Floresta em Elden Ring.

Depois da grande porta a escolha é sua. (Imagem: Divulgação).

Sem guias claros, o jogador constrói sua própria jornada interpretativa, conectando pedaços de história espalhados pelo mundo — reforçando curiosidade, experimentação e autonomia como motores centrais da experiência.

Evolução técnica nos jogos de mundo aberto

A transformação do gênero foi impulsionada por avanços em motores gráficos, inteligência artificial, machine learning e geração procedural de conteúdo. Segundo Dennis Kerr Coelho, professor da Univali e pesquisador em games e tecnologia:

“A geração procedural já vem sendo utilizada há bastante tempo e está ficando cada vez mais avançada, permitindo criar mundos gigantescos. Mas sozinha ela tende a gerar ambientes repetitivos e sem alma. Por isso, muitos jogos combinam mapas procedurais com intervenção humana, criando missões, personagens e histórias.” Ele também destaca o papel emergente da IA generativa:

“A IA generativa tem o potencial de adicionar mais ineditismo e mais alma aos cenários gerados proceduralmente.” Além disso, recursos como ray tracing, cloud gaming e machine learning vêm tornando os mundos mais realistas e responsivos:

“O ray tracing possibilita ambientações mais realistas, especialmente em luz, sombra, reflexos, pele e água. Já a computação em nuvem permite experiências massivas com milhares de jogadores interagindo em mundos mais dinâmicos. O machine learning é usado tanto para criar IA mais humana quanto para analisar dados de jogadores e otimizar a experiência”, afirma o professor.

Mundo grande não basta: imersão, densidade e significado

Personagen indo em direção a uma nave em No Man's Sky.

Uma verdadeira redenção. (Imagem: Divulgação).

Um dos maiores desafios dos jogos de mundo aberto é evitar que mapas gigantescos se tornem vazios ou repetitivos. Dennis Kerr Coelho cita No Man’s Sky como exemplo. “No lançamento, o jogo focou em um universo gigantesco, mas que acabou sendo repetitivo e chato. Com o tempo, os desenvolvedores continuaram evoluindo o jogo, e hoje ele é muito elogiado. O problema não é o tamanho do mundo, é criar algo repetitivo.”

O professor da Univali e especialista em Design de Games, Rodrigo Lyra corrobora, “com a proposta de geração procedural e mundo quase infinito, No Man’s Sky saiu como um jogo de universo vazio, pouco variado e desinteressante, mas com o tempo, ouvindo a própria comunidade, conseguiu se reconstruir, trazer o que foi prometido e continuar evoluindo.”

Isso reforça uma mudança importante no design contemporâneo: mais importante que escala é densidade de experiências, coerência de mundo e engajamento emocional.

Narrativa ambiental e construção de mundos

A narrativa nos jogos de mundo aberto deixou de depender apenas de diálogos e cutscenes. Títulos como Red Dead Redemption 2, The Witcher 3 e Elden Ring utilizam narrativa ambiental, na qual cenários, arquitetura, iluminação e objetos contam histórias silenciosas.

Em Red Dead Redemption 2, o que se sobressai é a forma como o mundo reage ao jogador: ações têm peso, geram consequências e se refletem em um nível de detalhe tão elevado que, mesmo anos após o lançamento, novas descobertas ainda surgem”, destaca Rodrigo Lyra.

Esse modelo permite que o jogador descubra o mundo por meio da própria exploração, fortalecendo a imersão e ampliando a sensação de autoria da experiência.

O papel do designer de games

Projetar jogos de mundo aberto envolve muito mais do que desenhar mapas. O designer precisa articular sistemas de progressão, narrativa, mecânicas, ambientação, ritmo e feedback, garantindo liberdade sem desorientar o jogador.

Para o professor e especialista em Design de Games da Univali, Rodrigo Lyra: “O tamanho do mapa não é necessariamente importante — é mais importante como esse mundo está preenchido. Um mundo gigantesco, mas vazio e sempre muito parecido não vai atrair a atenção do jogador. O jogador não pode se sentir perdido e sem objetivo direto. Fazer o jogador acreditar que suas ações impactam no mundo e trazer diferentes formas de resolver os mesmos problemas são possíveis soluções para que ele se sinta parte desse universo.

Formação acadêmica e pesquisa em jogos de mundo aberto

Nesse cenário de crescente complexidade, a formação acadêmica passou a ter papel central no desenvolvimento de profissionais capazes de atuar em equipes multidisciplinares e pensar jogos como sistemas vivos. Ambientes universitários, como a Univali, têm se consolidado como espaços de estudo, pesquisa e experimentação em design de jogos.

Segundo Dennis Kerr Coelho, os jogos de mundo aberto continuam sendo fundamentais para pesquisas sobre perfis de jogadores, experiências interativas e construção de mundos.

De acordo com Rodrigo Lyra, o profissional em design de games lida com sistemas complexos ao “fazer o jogador acreditar que as ações dele impactam no mundo, criar diferentes formas de resolver os mesmos problemas e desenvolver universos bem construídos, com história, lugares e NPCs com profundidade e coesão entre si.

O futuro dos jogos de mundo aberto

Olhando para frente, os jogos de mundo aberto tendem a se tornar ainda mais personalizados, adaptativos e únicos para cada jogador. “A bola da vez é a utilização de IA para criação de conteúdo, narrativa adaptativa e experiências únicas a cada partida”, explica Dennis Kerr Coelho.

Para Rodrigo Lyra, a tendência para esse segmento é a mesma que a de toda a indústria, IA generativa. ‘Vamos ver nos próximos anos mundos não só gerados, mas povoados com IAs que vão ajudar a construí-los em tempo real”, destaca.

Para onde caminha o gênero

De GTA 3 a Elden Ring, os jogos de mundo aberto evoluíram de mapas tridimensionais simples para experiências complexas, sistêmicas e profundamente narrativas. Essa transformação reflete em avanços tecnológicos e também uma mudança de paradigma. O jogador deixou de ser conduzido por trilhos invisíveis e passou a ser co-autor da própria jornada.

Nesse contexto, o papel do designer tornou-se mais estratégico, exigindo domínio técnico, sensibilidade narrativa e construção de sistemas coerentes. À medida que inteligência artificial e narrativa adaptativa se integram ao processo criativo, os mundos abertos do futuro tendem a ser menos sobre tamanho e mais sobre significado, descoberta e experiência.

Para saber mais sobre os cursos e formações na área de games, acesse o site da Univali. E para continuar acompanhando notícias, análises e tendências do universo gamer, fique ligado na ND Games.

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